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Café: Safra 18/19 ainda que grande não é tão negativa para preços

19/06/2017

 Em minha apresentação sobre a Oferta e Procura Mundial abordei a queda constante do terminal nestes dois primeiros trimestres, período que poderia existir um aperto de oferta, e exercitei o quadro de produção e consumo mundial dos últimos anos até 18/19.

Para a primeira parte a explicação ficou por conta da indústria torrefadora no destino ter se estocado apostando que a demanda do segundo semestre de 2016 fosse ser mantida na primeira metade de 2017 (o que não aconteceu) e também pela liquidação geral das commodities – falando de forma mais simplificada, claro.

Quanto ao quadro mundial, imaginando que o Brasil produza este ano 52 milhões de sacas, Vietnã 27 milhões, Colômbia 14.3 milhões e Honduras 6.3 milhões de sacas, para citar as origens que tem potencial de crescimento, o déficit ficará em 4.2 milhões de sacas. Se estes números se confirmarem os estoques mundiais vão cair 13%, nada amedrontador, mas longe de ser confortável o suficiente para eventuais perdas de produção.

Tracei também um comparativo com dois anos atrás, quando então no fim do ano, pós-florada brasileira para o que seria a mãe-de-todas-as-safras, o mercado caiu. Curiosamente a perda foi de apenas US$ 20 centavos por libra-peso, performance excelente diante da expectativa e ainda mais impressionante dada a desvalorização do Real Brasileiro de R$ 3.20 para R$ 4.10.

Para finalizar eu apontei que os fundos venderam de novembro de 2016 até a última terça-feira, dia 6 de junho, 90 mil contratos de café na ICE e o mercado perdeu US$ 55.00 centavos. É óbvio que a perda é significativa, mas à luz do volume de venda dos fundos poderia ter sido muito pior.

A razão para a queda não ter sido maior é a disciplina de compra dos comerciais, ou os participantes que pretensiosamente podemos considerar melhor informados, já que vivem de negociar café. A decisão da indústria em aproveitar a cobertura do flat-price parece acertada diante do quadro atual e com tanta água ainda para rolar debaixo da ponte até chegarmos a esperada super-safra. Como apontei na palestra, mesmo que se confirme 65 milhões de sacas no próximo ciclo de produção do Brasil e se considerarmos poucas variações nas demais origens o superávit mundial será de 4.5 milhões de sacas, ou basicamente reporá os estoques em um mundo que tem crescimento de consumo de café no mínimo à taxa vegetativa.

Não custa lembrar também que se o ciclo de 18/19 é de alta na produção, o de 19/20 será de baixa, pouco prático falarmos disso, mas não muito diferente em praticidade do que estar contando com 65 milhões de sacas para 18/19 em pleno junho de 2017.

A posição bruto-vendida dos fundos está próxima ao recorde, que foi de 72,980 lotes em 13 de março de 2013. Na época o número de contratos em aberto não era muito diferente do que temos hoje, ou seja, há espaço para os especuladores venderem mais, caso queiram. Pressionar muito mais a mola para baixo deve continuar a atrair compra de indústria e vai apertar o diferencial no Brasil.

Os baixistas dizem que não importa tanto o Brasil estar “caro” quando pode-se originar café de alguns países africanos e da América Central com descontos mais vantajosos. Sabemos que isto é momentâneo, não apenas pela bolsa refletir em geral muito mais o que acontece no Brasil, já que o país abastece 1/3 do comércio internacional de café, mas também pelo volume limitado destes outros produtores.

O fechamento da semana foi virtualmente inalterado para Nova Iorque e levemente positivo para Londres. O relatório do CFTC mostrando os fundos incrementando a posição vendida em 8,159 lotes deixa o mercado vulnerável para atrair recompras caso o contrato “C” consiga romper US$ 128.65 e US 129.70 centavos por libra-peso.

Fonte: Portal Agronegócio




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